Três candidatos à presidência da Câmara falam de estratégias de campanha

 A sete dias da eleição, eles comentam sobre as ameaças de rompimento dos partidos aliados

Arlindo-Chinaglia-Eduardo-Cunha-eJulio-Delgado-fotosBreno-Fortes-Marcelo-Ferreira-CB-PressNesta reta final da campanha pela presidência da Câmara dos Deputados, os três principais candidatos expõem aos eleitores programas parecidos. Todos prometem independência em relação ao governo federal, atenção aos projetos dos parlamentares, a votação da tão propalada reforma política e, de quebra, respeito total aos trâmites regimentais quando os deputados envolvidos no petrolão forem conhecidos oficialmente. Em entrevistas ao Correio, os candidatos expuseram essas propostas, sem deixar de apresentar de forma direta o fosso que separa PMDB e PT, com sequelas sobre o governo. A eleição para as Mesas Diretoras do Congresso será no próximo domingo, 1º de fevereiro.

Eduardo Cunha, do PMDB, em campanha desde a última semana de novembro, posa de favorito e aposta numa vitória em primeiro turno para impor uma derrota ao PT. “Não estou em campanha contra o governo. Quero presidir a Câmara e o adversário hoje é o PT”, diz. Já o candidato petista, Arlindo Chinaglia, confiante no segundo turno, promete votar inclusive na oposição, caso fique fora da final. “O governo não está em jogo aqui. Quem perde tem que aceitar a derrota”, afirma.

Enquanto os dois brigam entre si, Júlio Delgado, do PSB, se coloca como o único capaz de derrotar os dois se chegar ao segundo turno e de levar a diante a punição a quem estiver envolvido na Lava-Jato. “Em 2013, pouco não tivemos segundo turno. Agora, vamos ter e estarei lá para juntar quem sobrar”, disse ele, que se coloca como o candidato capaz de resgatar a imagem da Casa. “Vai ter candidato que, se eleito, vai acobertar quem estiver envolvido na Lava-Jato. Não será o meu caso”, disse ele.

Eduardo Cunha – O “cheiro” da vitória

Por que disputar a presidência da Câmara?

Qualquer um dos 513 deputados desta Casa pode almejar ocupar os cargos da Câmara. Sou o sucessor do Henrique Alves na liderança, a própria bancada do PMDB me deu apoio para construir minha legislatura. Não é questão de vontade pessoal. Você pode até dizer que meu oponente do PT tem vontade pessoal porque ele já foi presidente da Casa e está buscando voltar. O outro — enquanto não estava construindo uma base — estava com vontade pessoal, que é diferente da conjuntura política. Se eu fosse candidato de mim mesmo, estaria fadado ao fracasso.

O senhor espera quantos votos?

Eu não falo em números porque quem coloca votos na boca dos outros é porque não os tem. Tenho a convicção de que estou em primeiro lugar e que minha vitória será em primeiro turno. Mas não digo número porque é agressivo, é prepotente, é arrogante, e o voto é secreto. Quem afirmar que os têm pode estar cometendo o erro de não ver esses votos serem confirmados.

Como lidar com a relação conturbada com o Planalto?

O líder do PMDB só pode se expressar de acordo com o pensamento de sua bancada. Quem acha que teve rebelião, que foi o Eduardo Cunha que fez o PMDB ficar, não conhece o processo político. O líder é porta-voz da bancada. Quando ele não é porta-voz, ele não tem legitimidade para continuar como líder. Eu não teria sido reconduzido se não tivesse essa confiança que a bancada depositou. Meu problema com Dilma é zero. Sempre fui cordial. Se existe problema, ela tem que dizer o que é. Eu não tenho nenhum.

Júlio Delgado – Ação independente

Qual será sua relação com o Planalto, de oposição ou submissão?

Republicana. O Planalto sabe que nosso bloco partidário é composto por dois partidos de oposição (PSDB e PPS) e outros dois independentes (PSB e PV). Então, colocamos claramente que não fazemos parte do governo e não aceitaríamos nenhum tipo de cargo. Mas também não somos de oposição. Aquilo que vier do governo com respeito e governabilidade ao país nós vamos enfrentar. Aquilo que vier de contraponto, vamos debater. Nós temos a responsabilidade republicana e a independência de negociar, sem essa exigência de cargo. Tem partido que diz que é independente, mas participa do governo. Ou que é independente, mas é do partido da presidente ou do vice-presidente da República. Nós temos a independência real para poder conversar com todos os níveis de estatura do governo de forma republicada e discutir essas questões aqui no parlamento, que é onde a gente consegue ser a voz da sociedade que precisa ser mais bem representada.

Existe uma ação do governo pela candidatura do Arlindo Chinaglia?

Começa muito forte, com envolvimento dos ministros que foram contemplados em forma dos partidos. A primeira perda do Eduardo Cunha é o PRB, que tinha declarado apoio, mas vai apoiar o Arlindo Chinaglia. O PSD, do Kassab, agiu fortemente e emparelhou a disputa. Ao mesmo tempo que essas medidas são tomadas, a área econômica deixa a sociedade apreensiva. A eleição do parlamentar vai ter uma aproximação com a sociedade brasileira. A gente tem a perspectiva de buscar essa vaga no segundo turno. É um desafio ser um candidato que se coloca de forma independente de verdade.

O PSB tem discutido uma reaproximação com o governo?

Nossa candidatura não tem nada a ver com isso. Eu tenho cuidado da candidatura. Estive com Beto (Albuquerque, vice-presidente do PSB), e ele ainda reiterou isso, que o partido, numa reunião da executiva, decidiu pela independência, inclusive para rejeitar e colocar uma restrição à ocupação de cargos pelo menos por agora. Isso só pode ser mudado pela executiva. Não é uma reaproximação de fulano que pode rever uma decisão do partido. A legenda é que tem esse posicionamento e vai continuar até que a executiva novamente possa deliberar sobre isso.

Arlindo Chinaglia – O desafio dos 258 votos

O embate da campanha pode impossibilitar uma relação mais cordial entre PT e PMDB no futuro?

Primeiro que quando se disputa eleição não pode se achar tão importante a ponto de não admitir a derrota. Quem entra na disputa pode ganhar ou perder. Acho que é uma presunção se eu partisse do pressuposto que o PT fosse se orientar inteiro daquilo que seria o resultado da disputa. Quem vai no rumo de imaginar que é o centro do universo erra na avaliação política. Meu desafio é fazer 258 votos.

O senhor é a favor de uma nova investigação da CPMI da Petrobras?

Não cabe ao presidente tolher iniciativas, ele é refém de regras. Então, como é que alguém defende uma CPMI agora sem dizer o que é o fato determinado. Quem conhece ou teve acesso às investigações cabais da Lava-Jato para dizer o que falta ser investigado? Não me parece séria a proposta. Quem defende a CPMI tem de dizer onde é que a Polícia Federal falhou, onde o Ministério Público falhou e o que se tem a investigar. A CPMI precisa de um fato determinado.

Este ano promete ser mais difícil do ponto de vista econômico, político e com ameaças de ter deputados citados na Lava-Jato?

Tenho tranquilidade quanto ao meu nome. Para a Câmara, defendo uma agenda nacional, que não pode ficar limitada a eventos que fiquem menor do que seu papel da Casa. Nós temos que aprofundar e votar temas da reforma política, senão o Judiciário vai fazê-lo, como já está fazendo. E deixar o Judiciário fazer, para mim é um desastre. Se tiver parlamentares envolvidos na Operação Lava-Jato, que respondam às regras. Não vamos parar a Câmara. Cada um responde pelos seus atos e segue o trâmite normal. Pode até atrair a atenção da mídia, mas nós não vamos perder do foco.

Correio Braziliense

Acesse o link e tenha mais informações:http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2015/01/25/internas_polbraeco,468026/tres-candidatos-a-presidencia-da-camara-falam-de-estrategias-de-campanha.shtml

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