Curiosidade de Hoje: Fundação da Biblioteca Nacional do Brasil

Imagem: pt.wikipedia.org

Considerada pela Unesco uma das dez maiores bibliotecas do mundo, a Biblioteca Nacional do Brasil é também a maior da América Latina. Sua criação está diretamente ligada à história do país.

O embrião da biblioteca surgiu em Portugal, através do trabalho de Diogo Barbosa Machado (1682-1772). Nascido em Lisboa, no reinado do príncipe regente português Dom Pedro (1683-1706), que depois viria a ser Dom Pedro II de Portugal, Diogo era o segundo de três filhos de um capitão militar português.

Sua família não era rica, mas os três irmãos alcançaram sucesso profissional. Inácio, irmão mais velho de Diogo, formou-se magistrado e trabalhou como juiz de fora na Bahia, no Brasil colonial. Ao morrer, deixou o acervo de sua biblioteca, com mais de 2 mil volumes, sob os cuidados de Diogo.

O mais novo dos três irmãos, José, se tornou cronista oficial da Casa de Bragança, enquanto Diogo começou a estudar direito canônico em Coimbra. Em 1728, foi nomeado abade de Santo Adrião de Sever. Apesar de essa abadia ser apenas uma pequena igreja de madeira na comarca do Porto, o título garantia nobreza e alguma renda a Diogo, que nessa época já fazia parte da Real Academia da História, criada por D. João V para enaltecer a historia de Portugal e suas conquistas ultramarinas.

Foi então que Diogo iniciou seu mais notável trabalho: a Biblioteca Lusitana, que, apesar do nome, não era um espaço destinado a livros, mas sim um catálogo de mais de 5 mil livros portugueses, em ordem alfabética.

Paralelamente às atividades da Real Academia, Diogo tinha o costume de colecionar livros, pequenas obras sem encadernação, mapas e gravuras. Esse costume era facilitado pela vida em Lisboa, que tinha uma efervescência cultural e grande presença de europeus letrados. Assim, Diogo criou uma poderosa livraria, que tinha entre 4 mil e 5 mil exemplares.

Em 1755, um terremoto destruiu e incendiou vários prédios de Lisboa, incluindo o prédio da Real Biblioteca, criada por D. João V. Esse episódio aumentou ainda mais a obsessão de Diogo por preservar obras da ação do tempo e de desastres. Em 1770, já idoso, Diogo decidiu doar seu acervo para a Real Biblioteca, recebendo do então rei português D. José uma pensão vitalícia, da qual usufruiu pouco, pois morreu dois anos depois.

Em 1808, a Família Real portuguesa veio para o Brasil, fugindo de Napoleão Bonaparte, trazendo em caixotes todo o acervo da Real Biblioteca, já com 60 mil peças, entre livros, manuscritos, mapas, estampas, moedas e medalhas.

Inicialmente, o acervo foi acomodado nos andares superiores do Hospital da Ordem Terceira do Carmo, que ficava na Rua Direita, (atual Rua Primeiro de Março). No entanto, D. João VI considerou o local inadequado e em 29 de outubro de 1810 decretou que se erguesse a Real Biblioteca (atual Biblioteca Nacional) no espaço onde ela está atualmente (Av. Rio Branco, 219), que, na época, servia catacumba aos religiosos do Carmo. O acesso ao público, no entanto, só foi franqueado a partir de 1814.

Atualmente, o site oficial da Biblioteca Nacional do Brasil calcula um poderoso acervo estimado em mais de 10 milhões de itens.

Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil-Histórico

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