O caos na indústria do petróleo

Fonte: www.iped.com.br

Florença é uma cidade conhecida por suas belas obras de arte e boas saladas, e não pelo interesse em petróleo. No entanto, todos os meses de fevereiro a empresa de engenharia GE, que fabrica máquinas na cidade, reúne executivos de companhias de petróleo para discutir os rumos do setor. Este ano havia mais do que a sensação de mea culpa no ar. “O setor de petróleo e gás precisa renascer”, disse Harry Brekelmans, executivo-chefe de tecnologia da Royal Dutch Shell, a grande empresa anglo-holandesa de produção de petróleo e gás.

Uma série de relatórios financeiros sombrios no final do ano mostrou como a situação já estava difícil no último trimestre de 2015, quando os preços do petróleo eram negociados em média a US$44 por barril (em 2 de fevereiro os preços caíram para cerca de US$30 por barril). As empresas estão cortando empregos, custos e as despesas de capital para manter o pagamento dos dividendos prometidos. Mas com a queda crescente dos preços do petróleo, mais elas se endividam para honrar os compromissos.

Em Florença, os engenheiros e geólogos que administram os equipamentos, poços e oleodutos admitiram que os custos aumentaram sem controle, quando os preços elevados levou-os a procurar petróleo em locais de difícil acesso. Harry Brekelmans, o executivo-chefe da área de projetos e tecnologia da Shell, disse que de 1996 a 2014 os custos de capital por barril quadruplicaram, superando a produtividade. Em parte isso resultou do aumento dos custos dos equipamentos, quando os preços do aço e de outras commodities subiram. Porém Thierry Pilenko, CEO da empresa francesa de engenharia Technip, afirmou que era resultado também da “total ineficiência”. Segundo Pilenko, o número de horas gastas pelos trabalhadores para operar um equipamento duplicou em dez anos, apesar da informatização, e mesmo simples válvulas vêm acompanhadas de manuais de 80 páginas.

As empresas do setor de energia não adotaram sistemas digitais para melhorar o desempenho ao longo da cadeia de fornecimento. O setor está sujeito a paralisações não planejadas que aumentam os custos. A padronização é tão diversificada que uma empresa tinha 127 cores diferentes para equipamentos submarinos, que só os peixes veriam.

Fonte: The Economist

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