GDF e MEC fazem acordo para acabar com cursos da Escola Técnica de Ceilândia

O Governo do Distrito Federal (GDF) vai acabar com vários cursos da Escola Técnica de Ceilândia (ETC). A denúncia foi feita na manhã dessa sexta-feira (24), durante reunião dos/as professores/as e orientadores/as educacionais com lideranças do Sinpro-DF.

No encontro, professores/as da ETC informaram que a decisão chegou de forma autoritária, sem nenhuma discussão com a categoria. Apenas receberam o anúncio da Secretaria de Estado da Educação (SEEDF) de que vários cursos considerados importantes pela comunidade serão eliminados e professores/as que atuam na escola há décadas serão devolvidos/as.

Afirmaram também que isso está acontecendo porque o secretário de Educação fez um acordo com o Ministério de Educação (MEC) para introduzir, de qualquer jeito, o Pronatec na ETC. A diretoria da escola recebeu apenas um documento com uma tabela na qual a SEEDF indicava os cursos do Pronatec que vão ocupar o espaço já ocupado pelos cursos ministrados há 35 anos com professores de carreira.

Márcia Jales, vice-diretora da ETC, diz que os/as atuais professores/as não são habilitados nas áreas que eles e elas dão aula – como elétrica, corte e costura, marcenaria –, mas todos/as têm cursos nas áreas que lecionam e, por isso, formam profissionais nessas áreas. Numa reunião com a SEEDF, o governo informou que os/as professores/as que estão na escola, mesmo os/as que estão há muito tempo, serão devolvidos/as e a direção terá de ocupar as vagas com um monte de cursos do Pronatec.

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“Contudo, na reunião dessa sexta, realizada na escola, a gente concordou em aceitar oferecer Pronatec, mas para as oficinas que estão fechadas, como a de mecânica, que está fechada há muitos anos, e outros, como a de corte e costura no período vespertino.E até podemos entrar na mesa de negociação para negociar, mas nada que devolva meus professores que estão lá, há décadas, fazendo a formação profissional”, afirma.

A diretoria do Sinpro-DF informa que defende as escolas de natureza especial, em particular, da Escola Técnica de Ceilândia, que irá completar 35 anos este ano e é considerada muito importante pela comunidade.

“Essa escola já formou várias gerações de profissionais e muita gente reorganizou a vida a partir do aprendizado na escola. Vamos buscar o diálogo com governo para resolver e, se não houver boa vontade, vamos pôr o bloco na rua. Se preciso, realizaremos paralisações para impedir mais um desmonte”, avisa Eliceuda França, diretora da Secretaria de Assuntos Culturais do Sinpro-DF.

Márcia informa que os cursos ameaçados de extinção existem na escola desde a sua inauguração. “A Escola Técnica de Ceilândia foi criada, em 1982, com o nome de Centro de Educação para o Trabalho, para formar cidadãos e cidadãs em cursos técnicos e de formação inicial e continuada e já formou muito mais de cinco mil profissionais nesta cidade”.

À época, seu corpo docente foi contratado e não havia concurso público. Professores e professoras acabaram exercendo essa função de docentes nas áreas profissionais de cabelereiro, eletricista, marceneiro, corte e costura sem a habilitação de graduação. Alguns anos depois, graduaram-se e licenciaram-se e, hoje, todos têm graduação em Atividades.

“Mas de algum tempo para cá, a SEEDF passou a questionar a habilitação desses docentes, alegando, por exemplo, que professores de elétrica não são habilitados em elétrica. Só que o meu professor de elétrica está na escola há 33 anos lecionando esse curso”, afirma Márcia.

Desde que o governo avisou da intenção de acabar com as oficinas, usando como argumento a desculpa da habilitação, a categoria viu que a intenção era desmontar uma escola que há 35 anos forma gerações de profissionais na Ceilândia.

“A gente percebe que essa questão da habilitação agora é para que a gente aceite os cursos do Pronatec: um programa do MEC que contrata professores para oferecer educação profissional por meio de bolsas de tutoria, que são pagas por hora aula. Só que tem um detalhe, os professores a serem contratados pelo Pronatec também não têm habilitação. Também são contratados e basta terem experiência de regência para enfiarem esses professores nas nossas oficinas”, denuncia.

Ela informa que esse projeto da SEEDF precariza a educação profissional porque vão substituir professores de carreira, que atuam na escola há mais de 30 anos, por bolsistas, que não vão receber essa bolsa todo mês e, portanto, não terão o compromisso com a carreira do magistério público.

“Isso irá acabar com esses cursos. O fim dos cursos irá prejudicar fortemente a comunidade e toda essa precarização vai acabar com a escola pública. Estamos preocupados. A intenção deste governo é mesmo acabar com tudo. Daqui a pouco a gente não terá mais profissionais concursados para ministrar na educação profissional”, protesta.

Reunião dos/as docentes da ETC, nessa sexta-feira (24/2)

Fonte: Sinpro/DF

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