Diplomata Rômulo Neves divulga resultados e conclusões de enquete para votação para Presidente em suas redes sociais.

O diplomata Rômulo Neves, após sua participação no reality show bbb17, voltou a sua vida normal. No entanto, em suas redes sociais continua em alta.

No instagram são 163 mil seguidores, em sua pagina oficial do facebbok,  tem cerca de 50 mil curtidas , no Twitter seu perfil tem 77,800 mil seguidores e com mais de 22,5 mil curtidas.

Rômulo Neves além de diplomata é professor, poeta e triatleta. Neves costuma fazer boas analise políticas do cenário nacional e local. Hoje ele publicou pesquisa e interessante analise sobre a corrida eleitoral presidencial.

Segue abaixo resultados e conclusões das enquetes da votação para presidente realizada em suas redes sociais com a participação de 16.740 votos.

Antes de entrarmos nos números, algumas considerações:

- Realizei, entre os dias 20 e 25 de abril, pelo meu perfil no twitter, três enquetes, com três cenários diferentes para as eleições presidenciais, onde foram computados 16.740 votos.
– A amostra é bastante significativa, mas não foi estatisticamente construída. O principal viés é exatamente o acesso à internet, mas não é possível definir qual tipo de impacto esse viés tem nos resultados finais.
– Outra limitação das minhas enquetes é que é improvável que os respondentes das enquetes sejam a mesma pessoa, fragilizando uma leitura sobre mudança nas opções de voto, como farei abaixo. É muito grande, entretanto, a chance de os respondentes das duas primeiras serem exatamente os mesmos, tanto porque o número de respondentes foi bem próximo (4.280 X 4.281), como porque foram publicadas simultaneamente.
– Por fim, há um risco, como toda enquete livre, de engajamento artificial de militantes e simpatizantes desse ou daquele candidato. Em relação a isso, ainda que não seja garantia de nada, fui monitorando os resultados parciais durante as 24 horas que duraram as enquetes e as porcentagens se mantiveram mais ou menos as mesmas durante todo o levantamento, o que parece indicar que não houve engajamento artificial.
– Mesmo considerando essa limitação estatística, é possível, a partir da comparação dos resultados, fazer algumas considerações sobre o quadro geral, apesar da rápida transformação da conjuntura.
– Aliás, demorei a apresentar essa análise, exatamente para não contaminar o debate com eventos que se seguiram às enquetes, como a Greve Geral do dia 28/04 e, posteriormente, o depoimento de Lula na Lava-Jato, no dia 10/05.
– Sob risco, entretanto, de perder a validade dos dados, mesmo com o tsunami da delação da JBS, vale a pena analisar os números agora e colocar os pontos para debate.
– Ainda antes de entrarmos nos números, um apelo: leiam e debatam as ideias aqui apresentadas de maneira cordial e o menos sanguínea possível. Não estou escrevendo este texto como torcida ou apoiadora, mas como analista.
– A seguir os resultados das enquetes e as conclusões a partir da análise dos dados:

CENÁRIO 1                 CENÁRIO 2                  CENÁRIO 3
4.280 votos                 4.281 votos                    8.179 votos
Lula – 43%                  Bolsonaro – 38%            Lula – 42%
Marina – 28%             Marina – 30%                Dória – 23%
Alckmin – 17%            Ciro – 20%                    Bolsonaro-21%
Ciro – 12%                 Alckmin – 12%                Marina – 14%

Mesmo considerando todas as diferenças, as minhas enquetes apontaram resultados parecidos com os resultados da Pesquisa Datafolha do período de 26 e 27 de abril. Ou seja, apesar do fato de a amostra não ser estatística, os fenômenos Lula e Bolsonaro apareceram bem delineados nos dois casos, cada um vencendo a disputa quando o outro não está listado no páreo.
– Em relação a Lula, a maior incógnita é se ele realmente terá condições de ser candidato e 2018. O desenvolvimento da operação da Lava Jato e mesmo sua idade e saúde podem ser barreiras para esse cenário. Com outro candidato, dificilmente o PT conseguirá os mesmos números na eleição presidencial. No caso da impossibilidade de Lula disputar as eleições, há duas opções: um candidato novo, Haddad seria o nome mais lembrado, ou o apoio a Ciro. Nesse caso, vê-se claramente a transferência de uma parte significativa dos eleitores de Lula para Ciro, quando o primeiro não aparece na disputa (Ciro atinge seu melhor desempenho, com 20%). Mas o cenário contrário também pode ocorrer: se Lula disputar as eleições e Ciro abrir mão de disputar ou sair como vice, seus votos, em grande parte, podem migrar para Lula. Os dados da terceira enquete (sem Ciro) não confirmam essa tese, mas ela não é descabida. A soma de votos de Lula e Ciro na primeira enquete totalizou 55% dos votos.
– Bolsonaro teve o resultado mais surpreendente das minhas enquetes. Ele venceu a segunda enquete, quando Lula não está listado. Resultado difícil de explicar a partir dos dados das outras enquetes: na terceira enquete, por exemplo, Bolsonaro é ultrapassado por Dória. Isso nos remete à seguinte análise: mesmo que não faça muito sentido ideológico, Lula e Bolsonaro compartilham eleitores, e a maior parte deles pende para Lula, quando os dois estão no páreo. A segunda conclusão é que Bolsonaro e Dória também compartilham eleitores, mas estes também preferem Dória quando os dois estão no páreo. Assim, quando nem Lula nem Dória estão no páreo, Bolsonaro ganha boa parte desses votos. Como explico abaixo, os três compartilham um elemento importante: tocam no imaginário do eleitor médio, cada um a seu modo. Em relação ao eleitor de Bolsonaro, pesa sobre esse eleitor uma pecha de conservador. É um equívoco, porque a maior parte dos que optaram por Bolsonaro o fizeram pela imagem que o candidato vende e não pela defesa de todas as suas ideias, muitas das quais não totalmente conhecidas do público.
– Depois de Bolsonaro, a maior surpresa foi o resultado de João Dória, que, no terceiro cenário, numa hipotética disputa com Lula e Bolsonaro, os ganhadores dos cenários anteriores, ultrapassaria esse último e iria com Lula para o segundo turno. Aqui, o resultado é bem diferente do cenário apresentando pela pesquisa do Datafolha, onde Dória, quando listado, aparece com apenas 6% das intenções de voto. A diferença é que no levantamento do Datafolha, Dória aparece no mesmo cenário onde aparecem também Sérgio Moro, Joaquim Barbosa e Luciano Huck, cuja participação nas eleições é muito improvável. Na minha enquete, Dória unifica esses votos. Ou seja, Dória parece personificar e tornar concreta a figura do “outsider” que uma parte significativa dos eleitores está buscando.
– Três elementos precisam ser avaliados em relação a Dória: a) se ele pularia a vez de seu padrinho Alckmin; b) se ele seguiria no PSDB, já que, com o envolvimento de alguns políticos do partido nos últimos escândalos, seu discurso pode se esvaziar; e c) se as ações de seu Governo não destruirão essa imagem de bom gestor, como a recente operação na Cracolândia, muito criticada por eleitores moderados de ambos os espectros ideológicos.
– Lula, Bolsonaro e Dória têm um aspecto comum importante: todos eles representam uma espécie de esperança cega dos eleitores por uma solução fácil. O primeiro, de que retomará as rédeas do Brasil e retornará o período de bonança que viveu em seu governo; o segundo, de que tem uma fórmula mágica para superar as contradições políticas no país, ainda que de forma autoritária e, o terceiro, representaria uma mudança estrutural de tudo que está aí, por, supostamente, vir de fora da política.
– Outra personagem dessa disputa, Marina, aparece bem nas duas primeiras enquetes, ficando em segundo lugar (28%) contra Lula e também contra Bolsonaro (quando aparece com 30%). Na pesquisa da Datafolha, inclusive, é a única candidata que ganha de Lula em um hipotético segundo turno. O problema é exatamente esse: chegar ao segundo turno. O cruzamento dos dados com a terceira enquete sugere que Marina perdeu o rótulo de novidade. Como Bolsonaro, seria a segunda opção de muitos eleitores de todos os espectros políticos, especialmente de Lula e Dória, mas, quando esses personagens estão na disputa, perde espaço – na terceira enquete foi a quarta colocada, com apenas 14% da preferência. Exatamente por isso, por ser a segunda opção de vários eleitores, pode vencer os outros oponentes, incluindo Lula, no segundo turno.
– Alckmin parece estar bastante fragilizado eleitoralmente. Nas enquetes, ganha apenas de Ciro, quando Lula aparece (e portanto Ciro perde votos). E, o pior, tem resultados muito menos expressivos (12% e 17%) do que seu apadrinhado João Dória (23%). Não é possível dizer se vai conseguir sair ileso do tsunami de delações, mas, mesmo que saia, não é mais a aposta principal do PSDB, caso Dória permaneça no partido. Minha aposta é que deve abrir mão da candidatura a Presidente e tentar o Senado.
– Um aspecto que não foi medido, nem poderia ser, é a entrada na disputa de um político que, eventualmente, assumisse um hipotético mandato tampão, eleito pelo Congresso, em caso de deposição ou impeachment de Temer. Nesse caso, não há como medir, mas parece que muitos nomes tradicionais estão sendo descartados, pelo risco de envolvimento em novos escândalos. Os próprios congressistas já estão pensando em um nome ilibado para esse papel – pelo risco de uma instabilidade política ainda maior – e isso poderá mexer com a preferência do eleitorado.

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